Ela é aquela menina.
Aquela ali, olha!
Mas olha com cuidado.

Ela é aquela menina.
Aquela menina estranha que se esconde.
Consegues ver?

Ela é aquela menina.
Aquela que salta à multidão.
Aquela dos traços delicados.
Aquela dos olhos desenhados.
Aquela do sorriso tímido.

Ela é aquela menina.
Aquela que olha desconfiada.
Aquela que parece amedrontada.

Ela é aquela menina.
Aquela do olhar curioso.
Aquela da fala calada.

Ela é aquela menina.
Aquela pequenina.

Ela é aquela menina.
Aquela que gosta do céu.
Aquela que vê o mundo nas nuvens.
Aquela que tem os pés no chão.
Aquela que procura estrelas.
Aquela que nas constelações se sente em casa.

Ela é aquela menina.
Aquela que brinca.
Aquela que corre e saltita.
Aquela que procura balanços.

Ela é aquela menina.
Aquela do olhar admirado.
Aquela amante do que tem vida.

Ela é aquela menina.
Aquela dos sonhos grandes.
Aquela que se estica para alcançar o alto.
Aquela que na ponta dos pés dança.

Ela é aquela menina.
Aquela da fala áspera.
Aquela do pisar forte.
Aquela que briga.

Ela é aquela menina.
Aquela do olhar firme.
Aquela de objetivos marcados.

Ela é aquela menina.
Aquela que ainda é criança.
Aquela que pede colo.
Aquela que busca refúgio.

Ela é aquela menina.
Aquela que ama.
Aquela que odeia.

Ela é aquela menina.
Aquela que cresce e se acha mulher.
Aquela que o espelho não sabe o que é.

Ela é aquela menina que anda leve e pisa com cuidado.
Aquela que tu vais te dando conta de que é um universo.
Aquela que cria e brinca e usa as palavras.
Aquela que tu vês criandando com um tudo.
Aquela que criando descreve um mundo.