Chegou o grande dia! \o/

Últimas horas com óculos de grau no rosto. =)

Apesar do esforço de tentar dormir mais cedo que de costume, o resultado óbvio é que eu não consegui. Matei um bom tempo lendo um livro até que estivesse cansada ao ponto de ler e não entender o que estava escrito. Nessas horas normalmente eu me convenço de que chegou o momento de dormir e apago. Mas quem disse que eu consegui apagar essa noite? Não conseguir entender as palavras que lia não tinha ligação alguma com capotar no instante seguinte. Apesar do sono e do cansaço não consegui desligar. Acordei às sete horas da manhã para pingar um colírio e tomar o antiinflamatório. Não consegui dormir de novo, e sinto que quando chegar em casa depois da cirurgia vou capotar gostoso. Devo ter dormido só umas duas horas essa noite. Pelo menos vou poder tirar o atraso sem peso na consciência (não que eu costume me culpar por dormir a vontade), e pelo que li, o melhor a se fazer nos dois primeiros dias depois da cirurgia é dormir, já que é praticamente impossível fazer qualquer coisa com os olhos doendo e a visão embaçada. Faz o tempo passar mais rápido. Ou não, né?! Mas se dormir fosse profissão, eu seria muito boa nela. =P Só é mais difícil cumprir a tarefa quando se está ansiosa… Estou tranquila para a cirurgia; estou ansiosa mesmo só para que chegue logo, termine logo e eu possa desfrutar dos benefícios! =)

Desde sempre sou baixinha, e por isso sempre fui a primeira da fila para entrar na sala de aula na escola, ou da retaguarda no colégio militar, ou a primeira da fila nas apresentações para os pais em datas comemorativas, e sempre sentei na primeira carteira na sala de aula para não ter cabeçudos na minha frente.

Essa posição em sala de aula começou a incomodar algumas colegas de turma quando eu estava na sexta série (hoje sétimo ano do Ensino Fundamental II), que diziam que eu só tirava boas notas porque sempre sentei na primeira carteira e bem no centro da sala. Na concepção delas, todos deveriam ter a mesma oportunidade, para que pudessem tirar boas notas também. A monitora da minha turma se convenceu e fez um novo espelho de classe me colocando na última carteira de uma fila de seis, no centro da sala. Conclusão, além de não enxergar porque havia cinco pessoas mais altas do que eu na minha frente, os olhos, por mais que se esforçassem, já não eram capaz de identificar o que os professores escreviam na lousa branca lá na frente. Isso me fazia perguntar a toda hora “Alvinho, o que está escrito na lousa?”, e ele respondia. Depois de passar a aula toda perguntando para ele o que havia sido escrito na lousa pelos professores, ele exclamou: “Eu que uso óculos, e você que não enxerga!”, e eu respondi: “Por isso mesmo! Acho que estou precisando usar também.” Esse era o primeiro sinal de que alguma coisa estava errada com meus olhos.

Pedi para minha mãe que marcasse consulta com um oftalmologista, e o diagnóstico veio em minutos: 0,25 graus de miopia em cada olho. A solução era usar óculos para assistir às aulas, à TV, pegar ônibus, e outras atividades que exigissem que eu enxergasse o que estava à distância. Logo o grau subiu para meio, um, um e meio, dois, e no terceiro ano do Ensino Médio chegou aos dois e meio, mais 0,25 de astigmatismo. O meio dos dois graus foi causado por estresse, e logo que passei no vestibular ele sumiu, mas logo houve novo aumento de 0,25 de miopia que resolveu ficar.

Desde que soube que era míope veio a vontade de saber quando eu poderia deixar de ser. Minha tia era míope, e tinha feito a cirurgia, por isso sabia que um dia poderia fazer a mesma coisa, e voltar a enxergar perfeitamente. Bastavam alguns bons anos de espera, e auxílio de óculos. Enquanto não podia fazer a cirurgia, a melhor solução para corrigir esse defeito sem ter que pendurar umas lentes na frente do rosto era usar lentes de contato. Minha oftalmo sempre foi muito cuidadosa, e só liberou o uso de lentes de contato para mim aos 15 anos, após alguns testes. Foi uma felicidade só! Agora eu podia enxergar como se não tivesse problema algum de visão, sem a limitação do formato das lentes dos óculos. Foram quatro anos felizes, até que desenvolvi alergia às lentes de contato. Fiz tratamento, passei meses sem poder usá-las, até minha oftalmo me instruir que deveria reintroduzir o uso das lentes aos poucos; uma/duas horas por dia e ir aumentando gradativamente. Infelizmente não consegui me readaptar ao uso de lentes de contato, meus olhos não aguentavam ficar com as lentes por mais de duas horas. Ficavam irritados, vermelhos e praticamente expulsavam as lentes do globo ocular. O jeito foi voltar de vez para os óculos, e usar as lentes só para jogar bola. Colocava logo antes do treino ou jogo e retirava assim que a atividade acabava.

Ano passado me aposentei das quadras, portanto, passei o ano todo usando óculos, posso dizer que para os olhos foi bem agradável, mas para o meu campo de visão nem um pouco. Ter que enxergar o mundo através das lentes dos óculos limita bastante o que se pode enxergar, e me deixa numa dúvida danada se o que estou enxergando é aquilo mesmo ou se pode ser diferente, já que não lembro mais como é enxergar perfeitamente. Nunca tenho certeza se o que vejo está focado ou não, principalmente quando tiro fotos, ou uso microscópios.

Para fazer a cirurgia era preciso completar vinte e um anos e estar com o grau estabilizado. Assim que completei vinte e um fiquei na expectativa de ser liberada para a cirurgia, mas minha oftalmo, mesmo que soubesse pelo meu histórico que o grau estava estável há dois anos, achou melhor fazermos um acompanhamento de mais um ano, e aí sim fazer os exames necessários para confirmar se eu seria uma candidata à cirurgia ou não.

A liberação veio em agosto de 2011, quando nos meus exames de rotina minha oftalmo confirmou que o grau estava estável desde 2008, que a saúde dos meus olhos estava ótima, e que eu já podia fazer os demais exames pré-operatórios. Fiz os exames no início desse ano, e os resultados foram todos positivos e normais; eu finalmente tinha a resposta de que era uma candidata à cirurgia, e que poderia realizá-la quando quisesse.

Como meu grau é baixo o plano de saúde não cobre a cirurgia, mas não custava tentar. O pedido foi negado, então o jeito é pagar. Uma cirurgia bem salgada, mas eu tinha 50% do valor guardado de um trabalho que fiz; tinha guardado o dinheiro exatamente para realizar esse sonho. O restante do valor ganhei de natal do meu avô, que me deu um cheque preenchido oferecendo uma boa visão, e com a instrução de que deveria escolher um olho para ser deixado aos cuidados dele. Uma gracinha.

Com a decisão tomada, os exames feitos, e o dinheiro para a cirurgia, só faltava marcar uma data. Quarta-feira da semana passada (18/jan/2012) marquei a cirurgia para 27/jan/2012, e recebi uma receita médica razoável com medicamentos para o pré e pós-operatórios. Minha oftalmo disse que no dia da cirurgia passaria mais alguns medicamentos, todos com venda controlada, ou seja, devem ser remédios um tanto pesados, e as últimas instruções do que poderei ou não fazer depois da cirurgia.

A técnica escolhida foi a PRK (photorefractive keratectomy), indicada para pessoas com córnea fina, olhos pequenos, e grau baixo. O meu caso: grau baixo. Minha oftalmo optou por essa técnica também por conferir menor agressão à córnea. O que muda em relação ao LASIK (laser in situ keratomileusis) é que não há corte, o epitélio ocular é raspado com bisturi para expor a córnea; aplica-se o laser, e coloca-se uma lente de contato como curativo, que permanece nos olhos nos primeiros dias após a cirurgia. A recuperação também é mais lenta e dolorida, já que o epitélio tem que crescer e cobrir a córnea novamente, o que, pelo o que li a respeito, pode levar até seis meses, às vezes até um ano para se completar. Essa é a teoria, eu ainda não sei como será a prática, e estou bem ansiosa! Hoje comecei a usar o colírio do pré-operatório, e amanhã começo com o antiinflamatório, e depois da cirurgia vou usar mais vários colírios e remédios orais.

Apesar de algumas pessoas acharem ruim, fui atrás de informações, depoimentos e vídeos para saber como é a cirurgia. Isso me deixou muito tranquila, pois já sei o que esperar para amanhã. Minha oftalmo também me inspira muita confiança e tranqulidade, o que acho importantíssimo quando se trata de cirurgia.

Quando puder voltar a usar o computador conto como foi a cirurgia e os primeiros dias de recuperação. Espero que dê tudo certo, e que possa realizar outros tantos sonhos já planejados para depois da aposentadoria dos óculos, pelos próximos vinte anos pelo menos!

remember rights that I did wrong, so here I go
there is no place I cannot go
my mind is muddy
my heart is heavy, does it show?
so I set out to cut myself, and here I go
I’m screaming at the top of my voice
give me reason but don’t give me choice
cause I’ll just make the same mistake again

wonder where did I go wrong

…  I want to be clear. […] I have thought about asking you out several times. I just don’t think it’s such a good idea. […] Because you’re special. […] You’re beautiful, you’re intelligent, you’re incredibly interesting. You’re definitely girlfriend material. I, however, am definitely not boyfriend material. I can’t do it. I can’t do commitment. I don’t want to pretend to you that I can. If I were to date you, there would be no dating. It would be something right away, and I’m not that guy. …

and I’ve already heard it!

Passageiro

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